Discussão sobre proposta de mudança de ensino foi calorosa. Foto: G1/Santarém

A Câmara de Vereadores de Santarém promoveu uma sessão de Tribuna Livre para discutir a proposta de implantão do Sistema de Ensino Interativo (SEI)


A Câmara de Vereadores de Santarém promoveu na tarde desta terça-feira (03), uma sessão de tribuna livre para discutir a proposta de substituição do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) pelo Sistema de Ensino Interativo (SEI). Com o plenário e galerias da Casa, lotadas com professores da rede de ensino público do município, representantes das entidades sindicais da classe docente, além de estudantes e populares, o debate foi bastante caloroso, sobretudo porque a maioria das pessoas presentes se manifestou contra à proposta de mudança sugerida pelo governo do Estado.

A substituição do SOME pelo SEI tem gerado muita discussão em Santarém. O Sistema de Organização Modular de Ensino existe no Pará há 36 anos. É uma modalidade de ensino médio voltada para alunos de zonas rurais do estado. Os professores das áreas urbanas se deslocam para o interior, em geral, localidades de difícil acesso, para dar aulas.

Pelo novo sistema, os alunos deixarão de ter aulas presenciais com professores de todas as disciplinas e passarão a contar com presença de apenas um professor multidisciplinar para, por meio de vídeo aulas, repassar o conteúdo aos estudantes.

O vereador Valdir Matias Jr. (PV), presente à sessão, destacou que o SOME é uma modalidade de ensino que tem resultados satisfatórios em Santarém. Ele sugeriu que o novo sistema precisa de debates mais esclarecededores, principalmente diante da complexidade de cada região onde o SOME já é aplicado. “Quando eu conclui o ensino médio em 1993, o ensino à distância era pra termos acesso a melhores professores, com mestrado ou doutorado. Hoje, o ensino está servindo apenas para substituir a aula presencial, que tem qualidade melhor de aprendizado. O professor precisa conhecer a nossa região, a nossa realidade, para repassar aos alunos o ensino de qualidade. Quero me solidarizar com os sindicatos, com a comunidade escolar e com todos os envolvidos no debate. É preciso muitas informações, argumentos, convecimentos para que se prove que esta proposta de mudança seja melhor. Pelo visto, a implantação do SEI está totalmente fora da realidade do setor educacional do município e da nossa região oeste do Pará”, disse o parlamentar.